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11
Novembro

Antecipação de recebível: mais do que uma opção para salvar o caixa

Operação pode trazer vantagem de mercado ao pequeno empresário, que deve analisar a utilização do recurso e comparar as taxas de desconto

Nestes tempos em que as empresas precisam esticar o prazo de pagamento e encurtar o de recebimento,  uma alternativa deve ser bem estudada: a antecipação de recebíveis dos clientes -sejam duplicatas, cheques ou vendas de cartão de crédito.

As parcerias entre grandes varejistas com bancos para adiantar esse recurso aos fornecedores se multiplicam, mas quem está na ponta mais frágil – o pequeno empresário – deve observar cuidadosamente as condições e taxas de desconto para conseguir obter uma vantagem, além de socorrer o caixa.

De todo modo -até mesmo quando parece não haver alternativa melhor de crédito – convém comparar e pensar bem na utilização do recurso dentro do fluxo de caixa.

O empresário deve avaliar se necessita mesmo da antecipação. Isso porque implica receber um valor menor à vista.

“Compare com outras soluções para socorrer o caixa, como fazer uma promoção no ponto de venda ou reduzir o índice deinadimplência dos clientes“,  diz Gustavo Marques, gerente da unidade de acesso a mercados e serviços financeiros do Sebrae-SP. “Se não houver alternativa, a antecipação vale a pena para socorrer o caixa.”

Segundo afirma, a opção de realizar essa operação no banco parceiro de um cliente -no caso de grandes varejistas- deve ser planejada.

De um lado, o banco obtém a garantia de que o varejista vai pagar a operação, reduzindo assim as exigências burocráticas ao pequeno empresário, por exemplo. “Esse é o lado bom de manter um relacionamento com uma grande empresa. E pode ser uma opção rápida para ter capital de giro”, afirma.

Porém, Marques aconselha o pequeno empresário a verificar se a antecipação proporciona alguma vantagem competitiva.

O gerente do Sebrae-SP sugere, por exemplo, antecipar uma duplicata de grande valore e, com esse recurso, oferecer um prazo de 30 dias para o cliente pagar, ganhando um fôlego no caixa para bancar a operação. É uma forma de ganhar mercado nesta conjuntura de crise. Ou, ainda, de conseguir um desconto de 10% com o fornecedor pagando uma compra à vista.

Em resumo, o que não se deve fazer é simplesmente antecipar valores para pagar despesas fixas, como salário de funcionários, sem pensar no fluxo de caixa futuro.

De forma geral, ele diz que a antecipação é adequada para o pequeno empresário por também ser simplificada, com bandeiras e bancos oferecendo o serviço pela internet e em linhas pré-aprovadas. “Como é feito de forma automática, deve ser observada a taxa de desconto. Uma variação de 3% para 5% faz muita diferença para quem tem uma margem de lucro pequena”, diz.

COMPARE AS TAXAS DOS BANCOS

Luis Augusto Ildefonso da Silva, diretor de Relações Institucionais da Alshop (Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping), disse que a entidade, em conjunto com outras, conseguiu reduzir as dificuldades em torno da antecipação de recebíveis do cartão de crédito no começo deste ano.

Os lojistas eram obrigados a descontar o recebível do cartão de crédito no banco no qual tinham relacionamento. Não havia negociação e o lojista tinha de aceitar a taxa imposta pela instituição financeira. “Hoje, eles podem antecipar em qualquer banco, no que oferecer a menor taxa de desconto, e sem abrir conta corrente”, diz Ildefonso.

Ele lembra que os bancos com taxas mais convidativas estão de olho nesse lojista, que deve recusar as negociações casadas, nas quais um eventual desconto está associado à contratação de outro serviço.

Uma estratégia sugerida por Idelfonso é reunir um pacote de recebíveis e negociar a antecipação no banco em que a loja tem conta corrente só depois de fazer uma pesquisa das taxas oferecidas pelas instituições concorrentes.

“Fica a critério de cada banco oferecer uma taxa melhor. O recebível do cartão é o mais garantido e tem liquidez total”, afirma.

De acordo com o executivo, a antecipação tem sido uma alternativa principalmente para o pequeno lojista, que enfrenta mais restrição na hora de tomar crédito.

A taxa de desconto para as pequenas empresas depende das garantias, do valor e do prazo do recebível a ser antecipado.

No Banco do Brasil, a antecipação de cheques, duplicatas e de vendas com cartão de crédito exigem garantias pessoais e reais de pequenos empresários.

O banco informou que a taxa para desconto de cheques começa em 1,75% ao mês, para um prazo de 30 dias, e a de títulos, a partir de 2,38% ao mês, no mesmo prazo.

Para as vendas com cartões de crédito Visa e MasterCard, transacionadas pela credenciadora Cielo, as taxas partem de 1,86% ao mês para um prazo 30 dias. É possível antecipar valores agendados para até 365 dias, mas o custo aumenta.

A Caixa Econômica Federal informou que antecipa recebíveis pelo Giro Caixa Instantâneo Múltiplo, produto que tem uma metodologia diferenciada e calcula automaticamente o volume de vendas no cartões de crédito a receber, os cheques pré-datados e duplicatas entregues para caução no banco.

“O recurso é disponibilizado na conta corrente da empresa e a cobrança de juros é feita de acordo com o valor e o período utilizado, na mesma metodologia de cobrança do cheque especial, porém com taxa de juros reduzida, que é de 2,09% ao mês mais a Taxa Referencial (TR)”, informou em nota.

Procurados pelo Diário do Comércio, os bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Santander não informaram as taxas cobradas de pequenas empresas na antecipação de recebíveis.

Segundo dados do Banco Central, o estoque de crédito liberado pelos bancos apenas em antecipação de recebíveis encolheu no acumulado deste ano até agosto.

Na comparação com igual período do ano passado, houve um recuo de 5,2% no saldo de crédito dos bancos na antecipação de duplicatas, de 11,4% na antecipação de cheques e de 33,8% nas faturas de cartão.

Isso está associado à recessão na economia, que atingiu as vendas e o faturamento de empresas de diversos setores, mas também com uma rigidez por parte dos bancos.

As taxas médias de juros cobradas pelos bancos nas linhas de antecipação de recebíveis também apresentaram elevação no acumulado deste ano.

No desconto de duplicatas, o custo foi de, em média, 36,1% ao ano (ou 2,60% ao mês). No desconto de cheques, a taxa média em agosto foi maior, de 43,1% ao ano (3,03% ao mês), próximo do que foi cobrado para antecipar as vendas do cartão (43,2% ao ano ou 3,04% ao mês).

PARCERIA COM GRANDE VAREJO

Quando as negociações entre pequenos empresários e bancos ficam difíceis, entram em cena as grandes varejistas. Em muitos casos, em parceria com os bancos com os quais têm relacionamento, elas estão antecipando as próprias duplicatas que emitem para os seus fornecedores, sejam grandes ou pequenos empresários. Com isso, grandes redes também ganham um pedaço da taxa de desconto.

Segundo Gerson Rodrigues, diretor da 7COMm, – empresa que comercializa um sistema que consolida informações de recebíveis de grandes varejistas para fornecedores- no ano passado foram antecipados pela plataforma 38.881 títulos, e isso está crescendo.

Somente em julho passado, as grandes redes, em parceria com os bancos, anteciparam 73.548 títulos, no valor total de R$ 4,8 bilhões.

Rodrigues explica que a plataforma mostra para os fornecedores de uma grande rede, por exemplo, o valor que eles têm a receber em 30, 60 e 90 dias.

Esse fornecedor, que pode ser uma pequena empresa, pode fazer uma simulação dentro desse sistema para verificar a taxa de desconto, caso queira antecipar o pagamento com o banco parceiro de seu cliente, no caso a grande empresa.

Empresas como Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar adotam esse tipo de sistema porque têm uma quantidade grande de pagamentos e de fornecedores.

“Pode ser interessante porque o banco exige menos garantias das empresas de pequeno porte que têm a receber. O fato de o recebível ser de uma grande empresa, que também intermedia a negociação, diminui o risco para o banco”, afirma Rodrigues.

Apesar disso, é preciso sempre comparar as taxas de desconto para saber se essa facilidade compensa.

Rodrigues diz que o fornecedor pode ou conseguir uma taxa menor pela minimização do risco ou uma agilidade no processo, que tende a ser menos burocrático. Para a grande varejista, a vantagem é reduzir o valor que precisa pagar ao fornecedor.

“É interessante para a grande empresa que decide aumentar os prazos de pagamento. O fornecedor pode não suportar um prazo maior para receber e, assim, antecipar o valor. Ele perde rentabilidade, mas não deixa de vender”, conclui Rodrigues, que diz que as taxas pela plataforma começam em 3% ao mês e vão até 4% ao mês.

 

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